Adivinhe quem vai fazer o lançamento editorial mais importante dos últimos anos

"Le monde Diplomatique"

A imprensa dos movimentos sociais!

* A partir de 9 de dezembro, no Brasil, uma das publicações mais importantes do mundo - e certamente a mais crítica
* Um lançamento que não aceita os monopólios: jornais de todo o país poderão reproduzir o "Diplô"
* Informação e análise para quem constrói um mundo novo: condições especiais para a imprensa dos movimentos sociais



A partir de 9 de dezembro, haverá algo novo para ler na imprensa brasileira. Um ato no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, com presença de líderes dos movimentos sociais e de intelectuais que resistem ao "pensamento único", marcará o lançamento do Le Monde Diplomatique no país. A participação de Bernard Cassen, diretor do jornal na França, também está confirmada. A iniciativa demonstra que é possível uma internacionalização diferente. Apelidado de Diplô, traduzido em oito idiomas, o jornal dirigido por Cassen é hoje um pólo intelectual de resistência ao neoliberalismo e de formulação de alternativas. A edição brasileira tem um tempero a mais. Lançada por jornalistas formados nas lutas democráticas, ela é parte de um esforço para assegurar que a sociedade tenha direito à informação. Por isso, seu projeto de circulação é incomum. Numa primeira fase, o Diplô brasileiro não existirá enquanto publicação de papel autônoma - e sim reproduzido em jornais e revistas já existentes. A novidade mais importante vem agora: há condições extremamente vantajosas para a imprensa dos movimentos sociais. Ela terá os mesmos direitos de reprodução concedidos aos jornais comerciais - e pagará muito menos por eles.

A idéia é estabelecer uma parceria sólida com quem luta, há muito tempo, para construir um mundo melhor e um jornalismo mais democrático. No futuro, esta associação poderá lançar novos projetos. Confira:

* Independência, profundidade e prestígio a serviço de um mundo novo:

Sediado em Paris e publicado em francês desde 1954, "Le Monde Diplomatique" firmou, ao longo de quase meio século, uma tradição ímpar de profundidade no tratamento dos fatos internacionais. A recusa ao superficial, a disposição de examinar com rigor as questões mais complexas e a abertura para temas e enfoques que o jornalismo tradicional muitas vezes teme asseguraram-lhe a colaboração tanto de intelectuais destacados quanto de líderes dos grandes movimentos de transformação social. Em suas páginas, Ignácio Ramonet, Noam Chomsky, Eduardo Galeano, Emir Sader, Bernard Cassen, Samir Amim, Susan George e Pierre Bordieu, entre outros, encontram-se por exemplo com o Subcomandante Marcos e com Ahmed Bem Bella, líder da independência argelina.

Na última década, uma nova característica somou-se a estas e ampliou ainda mais a repercussão de "Le Monde Diplomatique". Ao contrário de quase toda a imprensa internacional, suas edições mensais passaram a examinar de modo muito crítico o processo de globalização - e a propor alternativas. A disposição de remar contra a corrente deu ao jornal autoridade e sobretudo amplitude de horizontes. Temas como o aumento das desigualdades, a ditadura dos mercados financeiros, a formação de uma ordem mundial dominada pelos EUA, o esvaziamento da democracia pelo poder econômico, a monopolização da imprensa ou as ameaças implícitas em novidades científicas como os transgênicos estão há anos no centro das preocupações editoriais do jornal.

* Um modelo de circulação democrático:

A edição brasileira circulará no mesmo mês da francesa. Será traduzida e revista por uma equipe de profissionais de alto nível e enviada, por meios eletrônicos, aos jornais-parceiros. Conterá cerca de 25 matérias (a grande maioria com 6 a 9 mil caracteres, aproximadamente uma página standard, duas tablóide, três a cinco de revista). Haverá dois circuitos: um formado por uma rede de publicações comerciais e outro por órgãos ligados aos movimentos sociais.

As páginas com as matérias da edição brasileira podem ser diagramadas segundo o projeto gráfico de cada jornal. Devem ser encabeçadas, porém, pela logomarca do "Le Monde Diplomatique".

Embora a edição francesa vá às bancas uma vez por mês, a circulação brasileira poderá ser tanto mensal quanto semanal. Os jornais comerciais diários tendem a estampar as matérias do "Diplô" em suas edições de fim-de-semana. Pagarão, por quatro matérias mensais, R$ 1,8 mil (ou R$ 3 mil, em São Paulo e no Rio).

* Condições e preços especiais para a imprensa não-comercial:

O dramaturgo alemão Bertolt Brecht gostava de dizer que não basta dizer a verdade: é preciso saber a quem contá-la. A reprodução nos jornais comerciais é muito importante, para tornar o "Diplô" amplamente conhecido, e para que seus textos atinjam um público numeroso. No entanto, a parceria com as publicações dos movimentos sociais é indispensável.

Criadas em grande parte nas décadas de 70 e 80, junto com as maré de lutas populares que marcou o período e teve repercussões em todo o mundo, estas publicações chegam ainda hoje a dezenas de milhares de brasileiros dispostos a lutar pela transformação social. São jornais e revistas de sindicatos, associações, igrejas progressistas, ONGs, universidades, etc. Podem jogar papel destacado no esforço para construir uma nova imprensa alternativa e para superar a hegemonia ideológica dos neoliberais.

Por isso, a edição brasileira do "Diplô" tem duas propostas especiais para estas publicações. A primeira são condições muito favorecidas para transferência dos direitos autorais. Por apenas R$ 300 mensais, será possível reproduzir uma matéria. Jornais ou revistas com mais espaço pagarão ainda menos, por matéria. Importantíssima do ponto de vista político, a parceria é um achado, editorialmente. Permite reproduzir material de enorme qualidade e prestígio, com custo reduzidíssimo. A tabela abaixo mostra isso:

Tabela de preços (por mês)
Matérias 1 2 3 4
Preço R$ 300 R$ 550 R$ 790 R$ 1000

* Rumo a uma nova imprensa alternativa:

Poucas tarefas são mais importantes, no sentido de construir no Brasil uma alternativa democrática ao neoliberalismo, que a reorganização de uma imprensa independente. A edição brasileira do "Diplô" quer ser parte desse esforço.

Na primeira fase, a edição brasileira trará as matérias do original francês, traduzidas e revisadas. Já nesse momento, porém, circularão eventualmente edições especiais em papel. Elas tratarão de temas decisivos para a formação de um novo pensamento crítico, no Brasil e no mundo. Trarão também textos de intelectuais, jornalistas e militantes sociais brasileiros. Poderão ser co-editados por parceiros no Brasil. Entre os muitos assuntos que poderão ser abordados estão, por exemplo, a dívida pública, a propriedade da terra, a polêmica em torno das "reformas" tributárias, o desemprego, a redução da jornada de trabalho e os projetos de renda garantida, a democratização dos meios de comunicação, os transgênicos.

Desde o início, o "Diplô" terá também uma edição Internet. Uma evolução natural seria aproveitá-la para aprofundar ainda mais, no futuro, as relações com os movimentos sociais. Além do jornal francês, a edição mensal poderia trazer textos produzidos no Brasil, igualmente oferecidos a uma rede de publicações dos movimentos sociais.

* Agora, a decisão é sua:

A partir de 9 de dezembro, estará no ar o número zero da edição brasileira. Ele trará uma amostra do que o "Diplô" publicou de melhor nos últimos anos, e demonstrará a importância do jornal para a resistência ao pensamento único. A partir de fevereiro, as edições sairão mensalmente. Não é preciso esperar até lá, porém, para usar os textos do "Diplô". Os jornais que firmarem contrato de reprodução, válido a partir de fevereiro, poderão reproduzir sem ônus, até lá, as matérias do número zero.

Poucas oportunidades são tão promissoras, num momento em que é mais necessário do que nunca transformar a insatisfação generalizada com o governo FHC num amplo movimento político e cultural de resistência e debate e gestação de alternativas. Queremos você nesta batalha. Para maiores informações, ligue agora para (11) 3865.7286 ou 263.5049, ou mande uma mensagem para mailto:diplo@that.com.br. A decisão, agora, é apenas sua.